A pouco mais de cinco meses para a realização de um dos maiores eventos do calendário esportivo mundial, a Copa do Mundo que acontecerá na África em junho, as operadoras de turismo brasileiras se preparam para um crescimento de até 40% em seus negócios, e já pensam em investimentos a médio e longo prazo para se estruturarem de modo a aproveitar a forte demanda por conta da Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos 2016, que serão realizados no Brasil.
A empresa de intercâmbio CI é uma das mais otimistas, tanto que prevê um crescimento de 40% em suas vendas, este ano, puxado principalmente pelo bom momento vivido pelo setor desde o final de 2009, quando houve uma recuperação do mercado no pós-crise econômica. A operadora mira também os Jogos de Inverno no Canadá, de 12 a 28 do mês que vem. Outra operadora nacional, a Master Turismo espera aproveitar o bom momento vivido pela economia brasileira, para ampliar e investir em viagens corporativas e, assim, obter um aumento em seus negócios de 25% este ano.
A retomada gradual do poder de consumo dos brasileiros no segundo semestre do ano passado fez com que as operadoras de turismo fechassem o balanço de 2009 com certo otimismo, depois de um período de turbulências, devido a crise econômica que afetou o mundo em 2009, impactando diretamente no setor , e a gripe suína que gerou diversos cancelamentos de viagens. Agora, as empresas do ramo têm planos de apostar alto em parcerias e investimentos neste novo cenário do turismo brasileiro.
A agência GB Internacional pretende alcançar um crescimento de 25% este ano, e obter parcerias e investimentos externos para o crescimento da empresa e o fortalecimento dos serviços. Presidente da Associação Brasileira de Turismo receptivo internacional (BITO), Roberto Dultra, que é sócio da empresa, afirma que há perspectiva do segmento de atrair investidores externos, daqui a alguns anos.
"O setor de turismo está crescendo a passos largos. É necessário que as operadoras de turismo acompanhem este ritmo, e se preparem para oferecer serviços cada vez melhores." Com relação a investimentos externos e fusões, Dultra complementa: "estamos buscando parceiros e investidores para ampliar o foco dos nossos negócios, mas pensamos a médio e longo prazo, principalmente com a Copa do Mundo e as Olimpíadas que serão realizadas no Brasil", declarou ele, em entrevista exclusiva para o DCI.
Mercado corporativo
Outra empresa que pensa em novos horizontes, a partir de 2010, é a operadora mineira Master Turismo, com mais de 20 anos no setor. A previsão é voltar as atenções ao mercado corporativo, que acompanha o crescimento da economia e tem forte demanda, com a retomada dos investimentos das empresas em promover eventos e viagens de negócios.
"A ideia de investir mais forte em viagens corporativas é decorrente deste novo cenário vivido pelo turismo e pela economia brasileira. Este nicho sofre menos com crises financeiras, e se levanta com mais facilidade", comenta o gerente comercial da operadora, Lenini Lamounier.
Segundo ele, a empresa vê alta na demanda em 25% este ano, e acredita que é hora de implantar novas unidades pelo Brasil. Ainda não há previsão da abertura de filiais e a decisão será tomada este ano
Intercâmbio
Em meio ao setor das operadoras de turismo a agência de intercâmbio CI, fundada em 1988 em São Paulo, pretende alcançar neste ano um aumento de 40% nas vendas de pacotes de intercâmbio e turismo, dado ao aumento na procura por estes serviços nos últimos meses de 2009.
O Canadá e os Estados Unidos são líderes na escolha de pacotes de intercâmbio, porém, destinos como os da Oceania, com destaque para a Nova Zelândia, vêm crescendo como um dos prediletos entre os clientes brasileiros, com planos de trabalhar e estudar naquele país, afirma Jan Wreder, diretor comercial da CI.
Wreder atribui os bons resultados do segundo semestre do ano passado ao planejamento dos brasileiros em relação às suas viagens fora do País. "Intercâmbio não é uma viagem qualquer, é necessário um grande planejamento e um pouco de paciência. No nosso caso congelamos o fator cambial e oferecemos certa estabilidade para que nossos clientes pudessem viajar", comentou ele.
Já no sentido inverso, de venda de pacotes para o Brasil, que se destaca a cada ano entre as opções internacionais para os estrangeiros, por conta da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, o executivo ressalta: "iremos investir ainda mais para habilitar nossos profissionais na venda e informações para esses eventos, como fizemos para a Copa do Mundo na África e para os Jogos Olímpicos de inverno que serão realizados no Canadá".
Aquisição
O setor de turismo no Brasil tem atraído a atenção de investidores internacionais, tanto que a líder entre as operadora de viagens do mercado interno, CVC Turismo anunciou há duas semanas atrás a venda de 63,3% da empresa para o grupo norte-americano Carlyle. Estima-se que o valor aproximado desta operação esteja na casa dos R$ 700 milhões.
Segundo a empresa, o valor não foi confirmado, sendo apenas uma estimativa de mercado.
A empresa, que transportou mais de dois milhões de passageiros em 2009, pretende levar mais 1,7 milhões de turistas este ano a vários destinos, e com isso dobrar o seu tamanho daqui a quatro anos, até a Copa no Brasil. A transação da fusão, considerada como a maior já realizada neste segmento no País, pode abrir brecha para a entrada de capital externo nesse mercado, segundo especialistas em fusões.
Fernando Borges executivo da empresa Carlyle comentou ao DCI, na ocasião do anúncio da fusão, que o "foco da empresa é crescer de forma sustentável, criar novos produtos, e investir em tecnologia, para suprir as necessidades do setor, queremos nos preparar para a Copa do Mundo e as Olimpíadas que serão realizadas aqui".
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