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Redes elétricas inteligentes mudarão para sempre o nosso dia a dia tecnológico
16/11/2009
 
Nossa rede elétrica em breve será mais inteligente. Os medidores de consumo convencionais, aqueles eletromecânicos com disco e ponteirinho, serão paulatinamente substituídos por medidores inteligentes, que poderão ser lidos eletronicamente pela concessionária, sem necessidade de deslocar pessoal nem alocar recursos adicionais para essa tarefa.


Além disso, num futuro próximo, cada eletrodoméstico será equipado com um chip que permitirá ao usuário saber exatamente quanta energia o aparelho está consumindo, podendo até programá-lo, ligá-lo, desligá-lo ou controlar seu uso à distância, por meio de um computador ou mesmo de um celular.

Numa etapa seguinte, em que estiverem mais disseminadas e baratas as tecnologias domésticas de geração de energia, um usuário poderá ter em casa painéis solares e pequenas torres de captação de energia eólica (dos ventos), podendo revender à concessionária o excedente energético que produzir. No entanto, essa participação do usuário demandará formas mais espertas de quantificar consumo e retorno elétrico, algo que só poderá acontecer por meio de medições bidirecionais, ou seja, no sentido usuário-distribuidora e vice-versa.

Nesse sentido, os países mais ricos, como os EUA ( http://lggf8.tk ) e algumas nações da Europa, já estão investindo altas somas na modernização de suas malhas de distribuição elétrica. O Brasil também está entrando na onda, salvaguardadas as proporções. (Leia também: Padrão para tecnologia de comando e controle da smart grid no Brasil permanece indefinido )

A grade elétrica de um país é uma mistureba medonha de instalações de geração de energia, linhas de transmissão, estações, subestações, transformadores, diferentes empresas concessionárias e distribuidoras, tudo isso mais ou menos interligado, envolvendo diferentes níveis de comunicação e coordenação. Só que, pelo menos até agora, quase toda essa maçaroca vinha sendo controlada manualmente.

Uma rede elétrica inteligente, vulgo smart grid, aumenta a conectividade, a automação e a coordenação entre todos esses agentes e elementos da grade. E para implementar essa inteligência, é preciso que haja um tráfego controlado e confiável de informações entre os pontos de controle da rede.

Existem algumas possibilidades de estabelecer esse tráfego, dentre as quais duas se destacam. A primeira delas é usar o próprio meio sólido metálico que conduz a energia (os fios) para veicular a troca de dados de comando e controle da grade. As segunda opção utiliza meios independentes da malha elétrica, lançando mão de interconexões sem fio entre os pontos.

No panorama mundial, a segunda tecnologia, a wireless, é a que está emplacando mais rapidamente, com vários projetos já funcionando em regime intenso de produção em alguns países. (Leia também: Nova norma IEEE em construção )



Para traçar um panorama das tendências da modalidade wireless, a DIGITAL entrevistou John O'Farrell, vice-presidente executivo de desenvolvimento de negócios da empresa Silver Spring Networks (SSN), uma integradora de tecnologias de ponta que está estreitando contatos com algumas das principais concessionárias brasileiras do setor elétrico. Casado com uma carioca do Leme, com quem teve trigêmeos hoje com 14 anos de idade, O'Farrell mora com a família em San Francisco e é fluente em português. Ele esclarece que smart grid ainda é algo relativamente novo e que o Brasil faz muito bem em não querer ficar para trás nesse movimento de modernização.


A (longa) entrevista de O'Farrell, da qual destacamos apenas alguns trechos, pode ser lida na íntegra pelo link http://catalisando.com/ofarrell .

Em que estágio se encontra a implantação de SG (smart grid) aqui no Brasil?

O Brasil ainda está numa fase inicial pois, afinal, SG é um fenômeno ainda novo no mundo inteiro. Nos EUA, também ainda estamos começando nessa tecnologia, mas ela está crescendo rapidamente, e no Brasil esperamos uma evolução semelhante, com a SG passando a se expandir bem rapidamente assim que forem tomadas as decisões fundamentais.

Em geral, o que acontece é que o primeiro passo na adoção dessa tecnologia é dado pelas grandes distribuidoras de energia elétrica, com a instalação de medidores inteligentes (smart meters), um tipo de equipamento que substitui os antigos medidores analógicos que vemos em nossas casas e escritórios. Os medidores antigos estão sendo substituídos por uma série de razões. Nos EUA, o principal objetivo é dar ao consumidor mais informações sobre quanta energia ele está consumindo em diferentes horários do dia.

Aqui no Brasil, como é que essa questão dos "gatos" pode ser corrigida com os medidores inteligentes?

Primeiramente, as concessionárias podem tentar legalizar essas conexões, oficializando tarifas razoáveis para esses consumidores de modo que, em contrapartida, cada um consinta em ter um medidor só para si.

Um outro expediente adotado pelas distribuidoras é colocar esses medidores em local mais distante do consumidor, por exemplo, reunindo um conjunto desses aparelhos e posicionando-o no alto de um poste ou outro lugar elevado, bem longe dos "gatos". E, para se comunicar com esses medidores, a concessionária usaria a tecnologia de radiofrequência.

Qual é a atuação da SSN?

Nós trabalhamos com a comunicação de dados entre os dispositivos da SG, ou seja, trabalhamos em parceria com os fabricantes dos medidores e de outros equipamentos da rede elétrica. Nós temos um "radio mesh system", ou malha de radiofrequência, um sistema sofisticado de hardware e software que conecta todos os elementos da rede de distribuição elétrica, atingindo desde a concessionária até o usuário final.

E quanto ao custo dessa tecnologia?

A distribuidora de energia pode se beneficiar dessa tecnologia de várias maneiras e isso paga o custo. Nos EUA, por exemplo, o pacote que inclui um medidor inteligente e o software de comunicação custa entre US$ 100 e US$ 150, com tempo de vida útil entre 15 e 20 anos. Ou seja, o custo pode ser espalhado por esse tempo de sobrevida.






Carlos Alberto Teixeira
 
Fonte: .NecNews - Redação Brasil
"Redes elétricas inteligentes mudarão para sempre o nosso dia a dia tecnológico"
 
 
 
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